Sobre Confinamento

por | mar 26, 2018

Eu gosto de “confinamento” desde que me entendo por gente. Coloquei entre aspas porque o que eu fazia na infância ao aproveitar caixas de móveis e passar horas lá dentro ou ficar tempos escondida de baixo da cama ou em cabanas improvisadas não pode ser chamado exatamente de confinamento. Isso me faria ter mais de 20 anos de prática no BDSM. rs

Eu não tinha consciência que aquilo tinha um significado ou nome. Era apenas uma brincadeira divertida onde ninguém poderia me perturbar. Com o tempo isso impulsionou outras escolhas onde a privação de liberdade física se tornou um estilo de vida. Foi uma ótima experiência!

Por fim, eu descobri o BDSM onde isso também era aplicável e uma parte muito interessante do jogo, pena que pouco explorada no Brasil, pouco entendida como uma prática em si e não apenas uma preparação para outras práticas.

O confinamento pode ser feito de diferentes maneiras, desde um espaço num armário/guarda roupas até um quarto ou caixa preparada para esse fim. Eu incluo também a camisa de força como uma parte do jogo.

Eu entendo o confinamento como uma prática semelhante a outras que existem ” a parte do BDSM” como Shibari e podolatria, principalmente porque ela não precisa de práticas sadomasoquistas pra existir. Em alguns casos as pessoas praticam somente o confinamento, sem torturas relação fixa e sem sexo também. Fazem pelo prazer em ficarem em lugares fechados, trancadas ou presas e se preparam pra isso com todos os cuidados necessários que envolvem desde a saúde física até fobias e preocupações com segurança do local. E se pegar fogo? E se alguém chegar? etc.

No confinamento alguns cuidados extras são necessários, bem como uma preparação diferente. Não se trata apenas de pensar em mil formas diferentes de torturar alguém, quem gosta muito da prática quer ficar por muitas horas confinado, em busca da sensação de tranquilidade e alivio que alcança ao ser inacessível por qualquer outra pessoa no mundo que não o parceiro que está com ele no jogo. E até mesmo esse parceiro tem um tipo especifico de acesso, em geral com poucos diálogos. Tanto TOP quanto bottom precisam gostar pra não ficarem com a sensação de tédio na prática.

Uma das coisas mais legais do confinamento é você “sentir o mundo passando apesar de você” ou seja, ouvir os barulhos e ruídos do mundo lá fora que está seguindo seu curso. São muitas sensações interessantes, ouvir os passos da outra pessoa, ver que ela está interagindo com outros que nem sonham que você está preso enquanto isso, escutá-la tomando banho, comedo, vendo TV é uma experiência sensorial deliciosa. É igualmente satisfatório não saber se vai ficar 10 minutos ou 10 horas, se passou algumas ou apenas 30 minutos, porque sem estímulos externos o tempo passa de uma maneira totalmente diferente e nesse sentido o TOP precisa ser firme no seu proposito, se ele fica neurótico e checa o bottom o tempo ele quebrará o “clima” de abandono que é buscado. Se fica também focado em dezenas de torturas diferentes diminuirá consideravelmente o tempo da prática. Não que não possa misturar a prática com o spanking ou qualquer contexto de dor, pode e é muito gostoso também, basta planejar bem o que se espera de cada prática.

É possível inserir o confinamento em roleplayers diferentes, pode ser uma simulação de manicômio, pode ser uma de quartel, de cativeiro, de campo de concentração, de castigo infantil, escravidão. Basta criar o contexto e se divertir.

A intenção do texto não é abordar as questões todas que envolvem o confinamento ou mesmo as questões de segurança, é apenas trazer o assunto para descobrir se mais gente gosta, como fazem, o que tem interesse em saber a respeito entre outras coisas.

Então me contem das experiências de vocês 🙂

Sisceris

Masochist's Motto
I'll do my best
to take your worst.