Needle Play

por | abr 3, 2018

Fotos: Le_Fetiche

Asas, corsets, pingentes ou sinos. Com tortura ou sem tortura, na Needle Play o que conta é a criatividade!

Needle Play é uma prática  BDSM que consiste no uso de agulhas hipodérmicas para perfuração da pele do bottom. Um dos grandes atrativos da prática é a sua versatilidade, podendo ser utilizada para causar efeitos psicológicos, emocionais, físicos ou artísticos.

Alguns são atraídos a prática pela sensação única que ela proporciona e podendo oferecer tantas variações da mesma, a pessoa pode ser perfurada com agulha pequena, e sentir pouca ou nenhuma dor ou o Top pode utilizar agulhas maiores para exercitar seu sadismo e extrair sensações mais intensas. Outros utilizam-na como forma de blood play, medical play, superação de limites ou então de forma artística, onde o bottom serve de tela para o Top.

Para a grande maioria a dinâmica D/s envolvida nessa prática é o maior atrativo. Submeter-se a outra pessoa e deixá-la utilizar- se do seu corpo de forma tão intima e intensa é um ato muito poderoso.

A confiança é peça central da prática como exercício de submissão, uma vez que o bottom confia completamente no Top para executar uma prática que não apenas é arriscada mas também exige um alto nível de conhecimento e experiência para ser feita apropriadamente. Enquanto o Top precisa confiar em seu bottom para não se mexer e também comunicar suas necessidades, estado físico, mental e histórico médico.

As agulhas

Geralmente as agulhas utilizadas na prática são agulhas médicas hipodérmicas utilizadas em injeções ou retirada de sangue.

Geralmente vendidas em caixas de cem unidades, elas devem ser descartadas após o uso, e a maneira correta de se fazer o descarte é utilizar um recipiente apropriado para materiais perfuro-cortantes que indiquem claramente que existe risco de contaminação biológica. Uma das mais comuns é a Descarpack, que pode ser encontrada em farmácias especializadas em produtos hospitalares.

As agulhas podem vir em calibres diferentes e quanto menor o calibre maior a agulha, por exemplo uma agulha de calibre 27.5G tem 0,38mm x 13mm enquanto uma agulha 16G mede 1,60mm x 40 mm, geralmente utiliza-se a cor do canhão para identificação do tipo de agulha.

O tamanho preferido para a prática é acima de 30mm para permitir que a agulha seja transpassada pela pele e ainda reste uma quantidade razoável de agulhas em ambos os lados para que a pele não fique escapando. Além das agulhas pode-se utilizar também catéteres intra-venosos, utilizando a cânula da agulha e não a parte flexível; assim como as agulhas, quanto menor o calibre maior a agulha.

Onde perfurar

Por geralmente criarem furos pequenos o tempo de recuperação é rápido e grande parte do corpo é candidato potencial para perfurações, entretanto, áreas com muitos vasos sanguíneos próximos da superfície devem ser evitados, assim como locais com muitas terminações nervosas por precisarem de mais tempo para cicatrização, caso sejam danificados.

Como perfurar

Antes de mais nada a prática deve ser realizada em local bem iluminado e arejado. O bottom deve estar confortável e o Top seguro.

Embora genitais e mamilos possam parecer muito atrativos para perfuração, quando se está iniciando e aprendendo deve-se praticar em partes menos sensíveis do corpo. Ter um parceiro que já tem alguma experiência com perfuração pode ser útil por poderem proporcionar um feedback mais apurado.

Se seu parceiro não tem experiência, faça furos superficiais, e se possível em você mesmo, áreas mais seguras como a pele logo abaixo do umbigo, antebraços ou coxas são as mais indicadas.

Perfurando em 3 passos

  1. Encontre uma área onde possa pegar uma quantidade considerável de carne entre seu polegar e o indicador, como se fosse dar um beliscão;
  2. Com a outra mão, segure o canhão e oriente a agulha para que a ponta longa da agulha fique mais próxima a pele;
  3. Empurre a agulha através da pele tomando cuidado para não se furar. Quanto mais demorado o ato mais dolorosa a perfuração se torna. Com prática pode-se perfurar sem necessidade de beliscar a pele.

Para agulhas maiores a figura abaixo ilustra a forma correta de se posicionar a agulha e fazer a perfuração.

 

Na primeira imagem está a forma correta de fazer a perfuração, onde a ponta da agulha está virada para que a parte chanfrada penetre na pele imediatamente.

A segunda imagem mostra a forma incorreta: a parte chanfrada fica paralela a pele podendo escorregar para cima ao invés de perfurar. Aqui existe uma questão importante de segurança, como a pele tende a “empurrar” a agulha para cima existe uma chance maior que a ponta perfure seu dedo.

A medida que as agulhas são inseridas converse e sinta seu bottom, essa percepção pode ser o sinal para continuar perfurando ou parar.

Tudo furado, o que fazer agora?

Depois de perfurar o bottom existem inúmeras coisas que podem ser feitas, utilizar cordões de algodão ou cetim para formar corsets, penas para asas, pingentes, enfeites, sinos… Aqui a criatividade é o limite.

As agulhas também podem ser utilizadas como ponto de apoio para pesos, para silenciar um bottom tagarela e até mesmo como forma de restrição. Agulhas são feitas de metal então podem ser utilizadas para tortura elétrica. Além disso puxões, torcidas e apertões podem ser aplicados como forma de pain play.

Retirando as agulhas

  • Se você beliscou a pele para fazer o furo é provável que exista alguma tensão na agulha; se realizar a retirada sem beliscar a pele novamente a agulha pode cortar a carne quando for puxada, então é necessário que a pele seja puxada novamente nesse caso.
  • Retire a agulha num movimento rápido e suave e descarte imediatamente no recipiente apropriado.

Segurança

Uma das primeiras medidas de segurança para quem tem preferência por práticas que envolvem perfuração ou corte é ter a vacina anti-tetânica em dia.

Mesmo que seu parceiro seja fixo e de longa data, existem cuidados que devem sertomados para que nem você e nem seu/sua parceiro(a) sejam infectados(as):

  • Use luvas de latex ou vinil. Por ser uma técnica que envolve perfuração, é bem provável que haja sangramento. A luva impede que qualquer tipo de infecção se espalhe entre os praticantes, além disso, ela impede que o material utilizado seja contaminado por você.
  • Limpe e esterilize as partes do corpo a serem perfuradas, existem inúmeros métodos para esterilização do local onde as agulhas serão aplicadas: álcool isopropil, álcool 70%, álcool iodado ou antissépticos. Isso reduz drasticamente o risco da agulha introduzir um germe oportunista em seu parceiro.
  • Utilize agulhas novas. As agulhas hipodérmicas geralmente vem em um pacote esterilizado e possuem uma capa protetora para a ponta da agulha.
  • Abra os plásticos um a um, conforme for utilizando, e evite colocar as agulhas sem capa protetora em qualquer superfície, pois elas podem ser contaminadas. Jamais utilize agulhas de pacotes violados.
  • Não reutilize agulhas, elas são baratas.
  • Adquira o hábito de jogar as agulhas fora logo após o uso. Deixar agulhas soltas por aí pode resultar em acidentes.

Cuidados pós-sessão

  • Após remover a agulha, especialmente se houver sangramento, aplique álcool ou antisséptico no local fazendo uma pressão leve. Esfregar a área com desinfetantes (médicos/ farmacêuticos) ou álcool logo depois da remoção pode causar ardência.
  • A remoção das agulhas pode causar sangramento subcutâneo e gerar hematomas.
  • Temperatura baixa e palidez podem ser sinais de queda de pressão, mantenha o bottom hidratado e aquecido.
  • Monitore o estado mental do bottom por sinais de choque, se algum dano mental foi causado durante a sessão é no cuidado pós- sessão que esse dano pode ser reparado.

 

Lady Eve

"And it's so easy when you're evil
This is the life, you see
The Devil tips his hat to me
I do it all because I'm evil
And I do it all for free
Your tears are all the pay I'll ever need"
-Voltaire, When you're evil